• Edna Martin Bertholdo

* 2020



E as badaladas do relógio anunciaram o ano de 2020

todos comemoraram, pois 2019 foi considerado ruim,

a troca de calendário foi realizada com sucesso

mas mal sabiam os seres humanos que a vida é como ela é,

e não há oração, cores de roupas, festas, fogos, bebidas, simpatias que podem mudá-la.


Somos seres iludidos, pensando como crianças

não sabemos o que acontecerá no próximo minuto de nossa existência,

e 2020 foi assim, sonhos cortados abruptamente

vidas ceifadas pela doença

brigas infindáveis

dores e mais dores se espalhando

saudades dos abraços e beijos

Famílias separadas


Tudo migrou para as telinhas

as chegadas, as despedidas, as festas e os funerais

e eu nos meus 58 anos de existência não tinha vivido uma pandemia

novidade para a maioria,

o que se faz nesta situação?

Sou contra ou a favor das regras que aparecem


Eu sou quem nesta historia

um simples número, uma pessoa ou tanto faz?

Onde eu caibo?

Será que caibo em algum lugar?

E entre reflexões e revoltas, a vida e a morte se manifestaram

Tânatus e Eros estiveram a trabalhar


Diferente dos outros anos? Não de forma alguma

este só foi mais intenso

afinal ano só está em calendários

dias e semanas também


E para que serve a vida humana?

Para nascer crescer, reproduzir e morrer?

Tudo é acaso, um acidente da natureza

Ou não?


As pessoas também disseram que foi ano de superação

o que superamos? Ah sim sobrevivemos, mas até quando?

A saída desta cidade que vivemos é a morte

Você tem dúvida? Eu não. Presenciamos muito este ano

Então para que mesmo serve esta trajetória?


E se eu disser que a única coisa que importa neste latifúndio

é esta presença que se manifesta para se observar

eu sou o observador e o observado

presencio o tudo e o nada

E o que importa o tudo ou o nada? Nada

o que importa sou EU

E tudo o que eu quiser mudar no campo de manifestações

não será possível

todo o meu redor é um espelho a me refletir


A pessoa humana no seu período de manifestação