COLOCADO DE LADO



Este é um trecho da poesia Ária única, turbulenta de Hilda Hilst:

Tépido Túlio, o reino

não é feito para os mornos.

esse reino de amor onde és o rei

por compulsão e ímpeto do poeta,

é feito de loucura, de atração

e não compreende tepidez, mornura

e vícios da aparência, palha, Túlio,

tem sido o teu reinado, inconsistência.

ou te transformas, rei de fogo e justo,

e, a quem merece, dás amor e alento

ou se refaz em ira a minha luxúria

me desfaço de ti, muito a contento.

E diante de uma poesia tão forte e significativa perguntamos:

E por que alguém seria colocado de lado? Ou melhor porque alguém se sentiria colocado de lado?

Refletindo:

O homem e a mulher são diferentes, a mulher é um mecanismo que gesta, após o nascimento da cria, todas as atenções dela são direcionadas para a cria e todo o desejo dela será de suprir as necessidades daquela cria, que suprirá também as suas próprias necessidades afetivas e sexuais.

Pesquisa:

Um estudo com 2 mil mães e pais constatou que as mudanças, principalmente nos primeiros meses após a chegada do bebê, são profundas e, muitas vezes, definitivas. A pesquisa, realizada pelo ChannelMum.com, uma comunidade de pais do Reino Unido, e The Baby Show, um programa americano de TV, revela que um terço dos relacionamentos sofre sérios problemas nos meses após o nascimento do bebê e o pior, um quinto acaba durante o primeiro ano.

QUAIS OS MOTIVOS?

Os rompimentos geralmente acontecem aos seis meses, e um em cada três dos casais que se separaram disseram que a "completa falta de comunicação" foi o principal motivo. Metade dos casais relatou discutir com mais frequência após o nascimento do filho e um terço disse que às vezes passava cinco dias seguidos sem conversar com o outro. Além disso, três em cada dez disseram que a vida sexual diminuiu, enquanto 29% sentiram falta do carinho que compartilhavam anteriormente. Para as mulheres, uma enorme queda na confiança do corpo também teve um impacto no relacionamento, enquanto 24% dos homens se sentiram completamente ignorados quando a mãe favoreceu o bebê. (CRESCER ONLINE, 16 OUT 2019)

Outra pesquisa:

Fizemos também uma reunião com alguns pais e filhos nas diversas idades, e vamos relatar um pouco do que eles disseram:

A primeira coisa que notamos foi o quanto é difícil para os homens saber o que realmente sentiram no instante em que estavam passando por esta experiência.

Os discursos são os mais variados possíveis, e a relutância em admitir que se sentiram abandonados é visível.

Há o discurso da responsabilidade e que deveria se dedicar mais ao trabalho.

O de que esteve muito presente e participou de tudo.

O de que nem se lembra se algo assim aconteceu.

O de quem arranjou cães neste período.

O de outros que saíam com mais frequência.

Também tenho conhecimento de traições de algumas pessoas próximas, em que os homens deixaram as mulheres se virando com tudo enquanto saíam com os amigos.

Mas nunca ninguém me relatou que ficou com muito ciúmes e nem que se sentiu rejeitado.

Um outro exemplo bem específico, o marido, quando a mulher estava muito com a cria, ele dizia: “E eu?”

O certo é que:

O casal antes de um filho nascer tem um relacionamento mais próximo, de carinho, de atos sexuais e atenção, mas decidem que terão mais um membro na família e entram nesta jornada sem volta, o nascimento de um bebê.

O que ocorre com a mulher no pós-parto?

Muitas vezes, já na gravidez o ato sexual diminui muito, por algum motivo de saúde, de rejeição que esta mulher tem ao cheiro do marido e outros fatores. Aqui já pode começar os problemas neste relacionamento, pois de repente o abandono é tão grande que pode surgir uma traição antes mesmo do bebê nascer.

Suponhamos que a gravidez tenha transcorrido de uma forma mais tranquila e eles continuaram o relacionamento costumeiro com atos sexuais e atenção.

Acontece algo que considero interessante neste processo de gravidez: ali está uma fêmea e um macho, nasce um animalzinho humano, afinal somos uma espécie de animais racionais. Mas logo que esta fêmea engravida, 3 papéis entram automaticamente, mãe, pai e filho, e vamos carregar o peso deles pelo resto de nossas vidas.

Quando pensamos em fêmea, macho e cria, fica fácil pensar em ato sexual, mas quando pensamos em pai, mãe e filho, tudo muda de figura dentro de nossas crenças.

Uma mulher um dia me disse que quando saiu do hospital com o bebê no colo e o marido ao lado, viu ali dois filhos. A visão dela automaticamente se alterou em relação ao marido, como será o ato sexual dali em diante?

Que papel terá este pai no decorrer do período que esta mãe lambe a cria?

Não estou menosprezando nem fazendo um comparativo de cunho ofensivo, mas apenas retratando uma realidade que acontece com todas nós fêmeas que parimos, somos capazes de virar uma onça para defender nossa cria e vamos lamber mesmo, afinal é nosso pacotinho sexual, veio de um ato sexual nosso.

Tudo isto que estou dizendo é natural acontecer, até tirar o marido da cama e colocar o bebê e mandar ele dormir no sofá.

Fiz aqui uma mistura dos termos fêmea, macho, homem, mulher, filho, bebê e cria de propósito, pois podemos ver o que eles despertam em nós. O que sentimos com cada um deles.

A verdade é que a atenção vai todinha para o recém-chegado, afinal o outro já é um adulto e pode muito bem se virar sozinho, a mulher está cansada, sobrecarregada, amamentado e não tem o mínimo tesão para um carinho ou ato sexual com o marido.

Caímos no resultado da pesquisa acima.

Podemos fazer algo com isso que ocorre naturalmente?

Responderia o filósofo: Conheça-te a ti mesmo!

Sim, o autoconhecimento ajuda muito nestas horas, pois o casal saberá dialogar sobre o que estão sentindo e pensando, e achar soluções juntos, é algo bem importante, pesquisar sobre o que ocorre com a mulher e o homem nestas ocasiões antes mesmo de entrar nelas.

Muitas vezes nos defendemos com agressividade e isso só nos afasta.

Apesar de sermos animais racionais, somos também seres inteligentes e sensíveis.

EDNA MARTIN

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