O BEBÊ NASCEU E AGORA?



José Carlos Mendes Brandão, escritor Bauruense nos diz o seguinte:

“Eu nasci com o sol da madrugada. A minha mãe gritou de dor e júbilo, O meu pai gritou como o trovão do céu. Quebraram-se os diques das águas do verão, O sol e a chuva sobre a terra fértil. A guerra se acabara, as flores resistiram. O cavalo relinchou chamando para a viagem, A porteira da Eternidade estava aberta de par em par.”

Vamos vasculhar um pouco na história sobre a criança.

“Pode-se apresentar um argumento contundente para demonstrar que a suposta indiferença com relação à infância nos períodos medieval e moderno resultou em uma postura insensível com relação à criação de filhos. Os bebês abaixo de 2 anos, em particular, sofriam de descaso assustador, com os pais considerando pouco aconselhável investir muito tempo ou esforço em um “ pobre animal suspirante”, que tinha tantas probabilidades de morrer com pouca idade.” (HEYWOOD, 2004, p.87)


“Não se tem notícia de camponeses ou artesãos registrando suas histórias de vida durante a Idade média, e mesmo os relatos dos nobres de nascimento ou dos devotos não costumavam demonstrar muito interesse pelos primeiros anos de vida (...). De forma semelhante, durante o período moderno na Inglaterra, as crianças estiveram bastante ausentes na literatura, fossem o drama elizabetano ou os grandes romances do século XVIII. A criança era, no máximo, uma figura marginal em um mundo adulto.” ( HEYWOOD, 2004, p.10)

“A “descoberta” da infância teria de esperar pelos séculos XV, XVI e XVII, quando então se reconheceria que as crianças precisavam de tratamento especial, “uma espécie de quarentena”, antes que pudessem integrar o mundo dos adultos” ( HEYWOOD, 2004, p.23).

“as meninas costumavam ser consideradas como o produto de relações sexuais corrompidas pela enfermidade, libertinagem ou a desobediência a uma proibição” (HEYWOOD, 2004, p.76).

“Contudo, um sentimento superficial da criança – a que chamei de “paparicação” – era reservado á criancinha em seus primeiros anos de vida, enquanto ela ainda era uma coisinha engraçadinha. As pessoas se divertiam com a criança pequena como um animalzinho, um macaquinho impudico. Se ela morresse então, como muitas vezes acontecia, alguns podiam ficar desolados, mas a regra geral era não fazer muito caso, pois outra criança logo a substituiria. A criança não chegava a sair de uma espécie de anonimato” (ÁRIES,1981, p.10).

“Trata-se um sentimento inteiramente novo: os pais se interessavam pelos estudos dos seus filhos e os acompanhavam com solicitude habitual nos séculos XIX e XX, mas outrora desconhecida. (...) A família começou a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância que a criança saiu de saiu de seu antigo anonimato, que se tornou impossível perdê – la ou substituí – la sem uma enorme dor, que ela não pôde mais ser reproduzida muitas vezes, e que se tornou necessário limitar seu número para melhor cuidar dela (ÁRIES,1981, p.12)

A Assembleia Geral das Nações Unidas, no dia 20 de novembro de 1959, representantes de centenas de países aprovaram a Declaração dos Direitos da Criança. Ela foi adaptada da Declaração Universal dos Direitos Humanos, só que voltada para as crianças.

Diante desta narrativa vemos que a criança não recebia a atenção devida pois a mortalidade é muito grande e não se tinha muito interesse em saber como ela funcionava.

Sendo assim a tão propagada pergunta: Ela vem com manual de instrução, para aquele que chegou e para seus educadores?

Vamos então a algumas considerações:

Quando este ser chega após 09 meses de espera, os educadores olham para ele e não sabem direito o que fazer, muitas mulheres buscam suas mães e avós para ajudar neste instante conturbado e de grandes mudanças.

O bebê chegou, trazendo em seu arcabouço tendências genéticas de seus ancestrais, os avós paternos e maternos.

Temos um guia dos direitos da criança, mas não de como educá-las.

Estamos falando do instante crucial de educação, pois até os 3 anos todas as referências serão formadas em seu cérebro e se repetirão pelo resto da sua vida.

Somos responsáveis por estas referências, principalmente a mãe que está muito mais ligada ao bebê e o pai ainda é um ser não tão visível naquele meio.

A mulher está exausta de uma gravidez e de um parto, e já tem que aprender como lidar e principalmente observar este ser.

Vamos a realidade ali temos uma fêmea que acabou de parir, um macho e uma cria resultado de um ato sexual deste casal. O bebê nasceu em um corpo masculino, feminino ou intersexo, mas a maioria nasce no feminino ou masculino.

Será que este serzinho sabe as funções, que corpo é aquele, para que serve, e como usar?

Não.

Ele precisa ser ensinado, pois terá referência para quando precisar.

Vamos fazer uma comparação: se você for colocado dentro de um carro, sem carteira de habilitação e sem conhecer nada do carro o que você vai precisar?

Aprender suas funções, como aquilo pode ser usado, e como dirigir ele. Não dá para usar um carro como uma lancha, cada um tem suas funções.

Assim somos nós quando nascemos, temos ali um veículo de manifestação e não sabemos nada dele. Este deve ser um fato importante para os educadores, ajustar e explicar a este bebê qual é e para que serve aquele veículo.

E vale lembrar aqui, que o ser a partir do momento que nasce é um coletor não seletivo de tudo o que acontece a sua volta. Ele varre e chupa tudo, independente do que seja. Então dizer que um bebê não entende nada, não pensa e não vê o que ocorre não se aplica muito bem aqui, pois mesmo que o cérebro não está apto a selecionar, ele absorve tudo e será suas referências. O cuidado e atenção então deve ser redobrado.

Vocês já pensaram como fomos tratados e como tratamos os bebês?

Uma coisa bem simples, quando chega alguém para nos visitar e estamos exaustos, pegamos o bebê e colocamos no colo desta pessoa sem ao menos apresentar e dizer que vamos colocar no colo da outra pessoa, imagina se alguém fizesse isso conosco?

O bebê dormindo no quarto dos pais e eles se relacionando sexualmente.